Como desenvolver crianças e adolescentes competentes e felizes.
1. Introdução
Alfred Adler (1870-1937), psiquiatra vienense contemporâneode Freud, promoveu uma visão substancialmente diferente do ser humano daquela desenvolvida pelo “pai da psicanálise”. Adler acreditava que o comportamento não era determinado pelos eventos do passado, mas que teriam como único objectivo a obtenção de sentimentos de “pertença” e de “importância”.
Rudolph Dreikurs (1897-1972), discípulo de Adler, também psiquiatra (e também vienense) foi director de um dos Centros de Orientação Infantil de Viena que usava os métodos de Adler no trabalho que desenvolvia com famílias e turmas. Dreikurs estudou exaustivamente o comportamento infantil e foi um incansável defensor das relações democráticas, baseadas no respeito mútuo – tanto em casa como na escola. Também desenvolveu um método pragmático para a compreensão do mau comportamento da criança e para estimular a cooperação sem castigos nem recompensas.
Foi autor de inúmeros livros através dos quais ajuda-nos a entender a aplicação prática da teoria adleriana; os seus livros mais conhecidos – “Children the Challenge”, “Maintainig Sanity in the Classroom” e “A Psicologia da Sala de Aula” – são extremamente actuais e usados em todo o Mundo, tamto por pais como por professores.
A abordagem positiva de Adler e Dreikurs defende a existência de atitudes de respeito mútuo entre pais e filhos e tem em conta os efeitos que os nossos comportamentos têm, a longo prazo, junto das crianças. São princípios basilares a gentileza, o encorajamento, a cooperação e a responsabilidade partilhada, o que torna mais eficaz a convivência diária – mais do que uma educação onde prevaleça o controlo absoluto ou a permissividade total. A título de exemplo, refira-se que esta é uma metodologia usada pela UNESCO para elaborar guias sobre Sala de Aula Inclusiva para vários países.
2. “Eu sou capaz!”
Nos dias de hoje (e para que possam exercer uma cidadania responsável) não basta prepararmos os mais novos apenas com competências académicas. Nem o maior e melhor conhecimento académico do mundo conseguirá ajudar os que sofrem de falta de auto-disciplina, de capacidades de julgamento, de interesse social, de capacidade para fazer escolhas acertadas e de sentido de responsabilidade de forma a tornarem-se “actores de sucesso” nas suas próprias vidas e na sociedade. Infelizmente, o nosso actual sistema educativo muitas vezes não fornece aos jovens estas competências sociais.Estudos recentes demonstram, de uma forma consistente, que a qualidade das relações com os adultos e pares tem uma influência fortíssima nas crianças e nos jovens: os sentimentos de pertença e de ligação são importantes factores protectores. Os alunos que percepcionam um sentimento de ligação com a escola e que crescem numa família percepcionada como carinhosa e sólida têm menos tendência para se envolverem em comportamentos de risco. Têm, por outro lado, mais possibilidades de serem bem sucedidos academicamente. Ou seja, crianças e adolescentes que se tornam adultos de sucesso (entenda-se por sucesso a capacidade de serem felizes e produtivos) possuem as características seguintes (três percepções de poder e quatro competências essenciais):
Percepções de Poder
1) Percepções de capacidades pessoais:“Eu sou capaz”
2) Percepções de importância nas relações:
“Contribuo de forma significativa e sou verdadeiramente útil”
3) Percepções de poder pessoal e influência sobre a vida:
“Uso o meu poder pessoal para fazer escolhas que influenciam aquilo que me acontece e o que acontece na minha sociedade”
Competências Pessoais
4) Competências intrapessoais:A capacidade de entender as próprias emoções e de usar esse entendimento para desenvolver a auto-disciplina e o auto-controlo e para aprender com as experiências
5) Competências interpessoais:
A capacidade de trabalhar com os outros através da escuta activa, da comunicação, da cooperação, da negociarção, da partilha e da empatia.
6) Competêncais sistémicas:
A capacidade para responder às limitações do quotidiano com responsabilidade, adaptabilidade, flexibilidade e integridade
7) Competências de julgamento:
A capacidade para tomar decisões baseadas em princípios éticos e morais, na sabedoria e na compreensão.
Os alunos que não desenvolvam estas percepções e competências correm um risco maior de enfrentarem problemas sérios durante a adolescência e juventude, como por exemplo o abuso de drogas, a gravidez precoce, o suicídio, a delinquência e o envolvimento em gangs. Por outro lado, se desenvolverem aquelas características, correrão menos riscos de enfrentarem os mesmos problemas. É, pois, extremamente importante que os mais novos tenham a oportunidade de desenvolver tais percepções e competências fundamentais – e as reuniões de turma são uma excelente oportunidade para tal.
Os alunos que não desenvolvam estas percepções e competências correm um risco maior de enfrentarem problemas sérios durante a adolescência e juventude, como por exemplo o abuso de drogas, a gravidez precoce, o suicídio, a delinquência e o envolvimento em gangs.
Por outro lado, se desenvolverem aquelas características, correrão menos riscos de enfrentarem os mesmos problemas. É, pois, extremamente importante que os mais novos tenham a oportunidade de desenvolver tais percepções e competências fundamentais – e as reuniões de turma são uma excelente oportunidade para tal.

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